INTROUÇÃO
Carcinomas mucoepidermóides (CME) são tumores malignos originados de ductos excretores de estruturas glandulares, que acometem as glândulas salivares maiores e menores intra-orais em mais de 90% dos casos. Também podem ocorrer nas glândulas de revestimento dos seios maxilares e outros locais de vias aéreas. Afetam especialmente adultos jovens sem predileção por sexo, freqüentemente manifestam-se como aumento de volume de evolução lenta, normalmente assintomáticos podendo estar associados a ulceração superficial, dor facial, parestesia, aumento da hemiface, epistaxe e obstrução nasal1. O diagnóstico precoce e o correto manejo dessa enfermidade são fatores determinantes do prognóstico6.
RELATO DO CASO
Paciente M.L.S.F. sexo feminino, 39 anos, apresentou-se com queixa de cefaléia e dor na face há um ano, associada à fotofobia, obstrução nasal e rinorréia mucopurulenta direita há um mês. A endoscopia nasal mostrou secreção mucopurulenta e tumoração em narina direita (Figura 1). Foi realizada TC de seios da face que evidenciou massa expansiva captante de contraste em seio maxilar e cavidade nasal direita (Figuras 2 e 3). Linfonodos cervicais negativos. O tumor foi ressecado e o estudo imuno-histoquímico da peça operatória confirmou carcinoma mucoepidermóide moderadamente diferenciado (Figura 3). A paciente foi encaminhada ao serviço de radioterapia, onde encontra-se em tratamento e apresenta-se em bom estado geral.

Figura 1. Visão endoscópica de tumor em narina direita.

Figura 2. TC em corte coronal, massa ocupando todo seio maxilar D e invasão de estruturas adjacentes

Figura 3. TC em corte axial

Figura 4. Corte histológico mostrando células epiteliais malignas, citoplasma claro, núcleos pleomórficos e hipercromáticos com produção de mucina.
DISCUSSÃO
Tumor maligno da cavidade nasal e seios paranasais representam apenas 3% a 5% do total de carcinomas de cabeça e pescoço. O seio maxilar é o mais comum dos seios paranasais afetados, representando aproximadamente 70% dos casos, com carcinoma de células escamosas sendo o tipo histológico mais comum10,11,12. Carcinomas mucoepidermóides representam de 4-7% dos carcinomas do seio maxilar.
Trata-se de tumor maligno que usualmente afeta glândulas salivares maiores e menores intra-orais, entretanto, tem sido encontrado em associação a uma grande variedade de outros epitélios glandulares na região de cabeça e pescoço, tais como do revestimento dos seios maxilares, nasofaringe, orofaringe, pregas vocais, laringe, traquéia, glândulas lacrimais e tireóide1. O CME ocorre preferencialmente nas glândulas salivares maiores (70%), enquanto que nas glândulas salivares menores, ocorre em 30% dos casos. Quando acomete as glândulas salivares menores, o sítio mais freqüentemente envolvido é o palato, seguido pelo seio maxilar5. Afetam especialmente adultos jovens sem predileção por sexo, freqüentemente manifestam-se como aumento de volume de evolução lenta, normalmente assintomáticos podendo estar associados a ulceração superficial, dor facial, parestesia, aumento da hemiface, epistaxe e obstrução nasal1. Apresentam variações de seu aspecto clínico e histológico, de acordo com o grau de malignidade6.
Histologicamente, o carcinoma mucoepidermóide é caracterizado pela presença de células mucosas, escamosas e intermediárias (com metaplasia epidermóide), o padrão é cístico ou papilar cístico9. Podem ser classificados em baixo, intermediário ou alto grau de malignidade; baseando-se em cinco parâmetros: proporção de elementos císticos e sólidos, presença de invasão neural, necrose, anaplasia e taxa mitótica (Tabela1)1, e esta subdivisão é útil no estabelecimento da terapêutica e no prognóstico2,3.
De uma maneira geral, os de baixo grau apresentam-se como uma massa bem circunscrita com áreas císticas contendo material mucoso. Os de alto grau são sólidos e as células escamosas, claras e intermediárias, predominam sobre aquelas produtoras de muco. O grupo intermediário conteria os dois aspectos morfológicos, cístico e sólido, de forma equilibrada7.
Com relação ao tamanho dos tumores, os CME afetando glândulas salivares menores extra-orais apresentaram a maior média de diâmetro, em especial os tumores de antro maxilar, que podem atingir grandes dimensões antes de causar sintomatologia aos pacientes1.
O tratamento é baseado no grau de malignidade, extensão tumoral e nas condições gerais do paciente. Deve-se realizar ressecção cirúrgica ampla, seguida de radioterapia pós-operatória para os tumores de intermediário e alto grau, sendo aceitável apenas a cirurgia em tumores de baixo grau1. Esvaziamento cervical deve ser realizado nos casos com metástase regional, estadiamento clínico avançado ou alto grau histológico1, 9. A quimioterapia tem sido sugerida em carcinomas de alto grau por terem sensibilidade semelhante aos carcinomas espinocelulares9.
CONCLUSÃO
O profissional deve estar atento às diversas formas clínicas, histológicas e imagenológicas que o CME pode assumir, tendo como método de imagem de escolha a Tomografia Computadorizada e a Ressonância magnética6. O diagnóstico precoce e o correto manejo dessa enfermidade são fatores determinantes do prognóstico6. A sobrevida e terapêutica está relacionada ao grau histológico, extensão local e disseminação do tumor.6
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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9. Salazar CM, Saa J, Sánchez-Jara MR, García JL, González M. Carcinoma mucoepidermóide de vestíbulo nasal. Acta Otorrinolaring Esp. 2000,51(7):729-32.
10. Myers LL, Nussenbaum B, Bradford CR, et al: Paranasal sinus malignancies: An 18-year single institution experience. Laryngoscope 112:1964, 2002
11. Dulguerov P, Jacobsen MS, Allal AS, et al: Nasal and paranasal sinus carcinoma: Are we making progress? A series of 220 patients and a systematic review. Cancer 92:3012, 2001
12. Norlander T, Frodin JE, Silfversward C, et al: Decreasing incidence of malignant tumors of the paranasal sinuses in Sweden. An analysis of 141 consecutive cases at Karolinska Hospital from 1960 to 1980. Ann Otol Rhinol Laryngol 112:236, 2003
1. Especialista em Otorrinolaringologia Chefe da residência de otorrinolarringologia do Hospital São José do Avaí.
2. Residente de Otorrinolaringologia do HSJA (R3). Residente de Otorrinolaringologia do HSJA.
3. Residente de Otorrinolaringologia do HSJA Residente de Otorrinolaringologia do HSJA.
4. Médico estagiário do Serviço de Otorrinolaringologia do HSJA Médico estagiário do Serviço de Otorrinolaringologia do HSJA.
5. Acadêmica estagiária do Serviço de Otorrinolaringologia do HSJA Acadêmica estagiária do Serviço de Otorrinolaringologia do HSJA.
6. Acadêmica estagiária do Serviço de Otorrinolaringologia do HSJA Acadêmica estagiária do Serviço de Otorrinolaringologia do HSJA.
7. Médica estagiária do Serviço de Otorrinolaringologia do HSJA Médica estagiária do Serviço de Otorrinolaringologia do HSJA.
Instituição: Hospital São José Do Avaí
Correspondência:
Rua Coronel Luis Ferraz 397, centro,
Itaperuna/RJ, CEP 28300000
Trabalho submetido em 28/8/2009